Casos de covid-19 no estado aumentam mais de 330% após implementação de “Modelo de Distanciamento Co

Após seis semanas da implementação do “Modelo de Distanciamento Controlado” criado pelo Governo do Estado, o avanço da pandemia de covid-19 no Rio Grande do Sul coloca o plano estadual em xeque, com a classificação de 116 municípios em regiões de bandeira vermelha.  35% das 20 macrorregiões definidas no plano estadual de contenção do novo coronavírus apresentaram piora na classificação desde o início do “distanciamento controlado”, em 11 de maio. 

Desde a implementação do modelo, a região de Uruguaiana passou de bandeira amarela para vermelha. Além desta, as regiões de Santa Maria, Santo Ângelo e Caxias do Sul passaram de bandeira laranja para vermelha. Também tiveram piora na classificação as regiões de Ijuí, Santa Rosa e Bagé, que passaram de bandeira amarela para laranja. Além disso, outras oito regiões mantêm a bandeira laranja, zonas de médio risco, na comparação com a primeira semana de adoção do modelo. Atualmente, apenas quatro macrorregiões têm bandeira amarela, de baixo risco. Quando o modelo foi implementado eram seis regiões amarelas e apenas uma vermelha.

O modelo adotado prevê quatro níveis de risco, representados por bandeiras nas cores amarela, laranja, vermelha e preta, que variam conforme a propagação da doença e a capacidade do sistema de saúde em cada uma das 20 regiões. Semanalmente, cada região é avaliada em 11 indicadores, consolidados em dois grandes grupos: propagação (velocidade do avanço, estágio da evolução e incidência de novos casos sobre a população) e capacidade de atendimento (capacidade de atendimento e mudança da capacidade de atendimento).

A partir da classificação de risco de cada região, o plano estabelece quais serviços e estabelecimentos podem funcionar e em que condições. Contudo, o modelo flexibiliza as recomendaçãos da Organização Mundial da Saúde (OMS) até mesmo em regiões classificadas com bandeira vermelha, de alto risco. Desde o início da crise sanitária, a OMS defende o distanciamento social como melhor resposta à pandemia. Já o modelo do governo de Eduardo Leite, permite, nas regiões de alto risco, a abertura, por exemplo, de bares e restaurantes, de agência de turismo, passeios e excursões e alguns setores do comércio, além de todo setor industrial. 

Como resultado, a pandemia do novo coronavírus avança em passo acelerado pelo estado. Desde o dia 11 de maio, quando foi implementado o “distanciamento controlado”, o número de casos confirmados passou de 4.452 para 14.704, de acordo com o último boletim da Secretaria Estadual de Saúde. Um aumento de mais de 330% no número de casos confirmados em pouco mais de um mês. Além disso, 362 pessoas já perderam a vida pela doença no Rio Grande do Sul.

Além do aumento no número de casos e óbitos, hoje a covid-19 já foi confirmada em 345 municípios, 69% das 497 cidades do estado. Os dados da Secretaria Estadual também mostram que o sistema de saúde chega cada vez mais perto do seu limite de operação. Com a pandemia do novo coronavírus, 71,3% dos leitos de UTI adulto do estado já estão ocupados. Somando-se ao quadro da crise sanitária, o inverno frio do Rio Grande do Sul já costuma ser um período de lotação de hospitais e pronto-atendimentos.

De acordo com matéria publicada pelo jornal Correio do Povo, sensação de que a doença não estava no estado, causada pela flexibilização do isolamento proposta pelo “distanciamento controlado” e instabilidade nos critérios do modelo estão entre as causas para o modelo não ter conseguido conter a pandemia: “Gestores, técnicos, cientistas e profissionais da saúde apontam três questões principais, que teriam levado o RS a situação atual, de retorno de restrições ampliadas, mais de 90 dias após a confirmação do primeiro caso, em um cenário diverso do que aconteceu na China, na Europa e até mesmo nos Estados Unidos. São elas: a ilusão de que, mesmo sem testagem e rastreamento em larga escala ou uma política dura de isolamento a doença passaria ‘do lado’ do Estado; as idas e vindas do modelo de Distanciamento Controlado e parte de seus próprios critérios de definição de restrições; e o discurso do próprio governo, que endureceu e flexibilizou restrições e estimou diferentes datas de pico que até agora não se confirmaram”.

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