Manifestações em todo o país rechaçam reforma administrativa e pedem impeachment de Bolsonaro

O último sábado (29) foi marcado por grandes manifestações em todo o país contra o governo Bolsonaro. Os manifestantes pediam o impeachment do presidente, vacina para todos, auxílio emergencial de R$ 600,00 e a derrubada da reforma administrativa (PEC 32/2020) no Congresso Nacional. Os atos foram registrados em mais de 200 cidades e também em 14 outros países.


Em Porto Alegre, os organizadores estimam que cerca de 30 mil pessoas participaram da manifestação que iniciou às 15h em frente à Prefeitura da Capital. De acordo com apuração do jornal Brasil de Fato, os atos também ocorreram no interior do estado, em cidades como Santa Maria, Rio Grande, Viamão, Santa Vitória do Palmares, Pelotas, Novo Hamburgo e São Leopoldo, e em todos os locais, os manifestantes respeitaram o pedido da organização, usando máscara e tomando os cuidados para evitar o contágio do novo coronavírus.


Para o coordenador-geral do SINDPERS, Thomas Vieira, os atos refletem a indignação da população com o atraso da vacinação: “Os atos de sábado marcaram uma resposta da população, notadamente, pela questão da vacina. Nos últimos dias ficou muito evidente na CPI que o Governo Federal demorou demais para agir na compra da vacina, por mais que políticos governistas digam que não. Ficou muito evidente e acho que foi uma resposta”.


Os manifestantes também criticaram a condução do governo estadual na pandemia e a reforma administrativa pretendida pelo governo Bolsonaro: “A reforma administrativa foi uma das pautas desse ato e o público presente demonstrou que rechaça a reforma porque entende que é o início da corrupção generalizada no serviço público”, destacou Vieira.


O portal da BBC Brasil publicou uma avaliação com cinco possíveis consequências dos protestos do último sábado. O veículo ouviu Carlos Melo, cientista político e professor do Insper; Pablo Ortellado, coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital e professor da USP (Universidade de São Paulo); e Claudio Couto, cientista político e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) sobre o tema.


Para os especialistas, as manifestações do dia 29 têm como consequência a perda do “monopólio das ruas” que Bolsonaro vinha tendo desde o início da pandemia. Os atos também aumentam a pressão sobre o Congresso pela abertura do processo de impeachment e empoderam a CPI da Covid, que investiga a resposta da atual gestão à pandemia.


Os pesquisadores também avaliam que os protestos podem gerar uma debandada massiva do chamado “Centrão”, o que dificultaria as pretensões de Bolsonaro à reeleição ao se tornar um entrave à aprovação no Congresso de projetos que o governo deve tentar encaminhar nos próximos meses com objetivo de melhorar sua popularidade para as eleições do próximo ano.


Foto capa: Luiza Castro/Sul21

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