Perda salarial no setor público superou setor privado na pandemia

Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, publicada nesta semana, mostra que a renda média do trabalho caiu mais para os empregados do setor público do que para os funcionários da iniciativa privada durante a pandemia no Brasil. O setor público foi fortemente atingido por medidas de austeridade no período, como o congelamento salarial promovido através da Lei Complementar 173/20.


Os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), produzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dão conta de uma perda de 8,5%, já descontada a inflação. Para os trabalhadores do setor privado as perdas, no mesmo período, foram menores: 2,9%. Ou seja, as perdas dos servidores são quase o triplo dos demais trabalhadores.


Na comparação do trimestre de maio a julho de 2019, antes da pandemia da Covid-19, a renda média do setor público era estimada em R$ 4.468 (em valores de hoje). Três anos depois, em igual trimestre de 2022, o rendimento real baixou para R$ 4.086. No mesmo período, a média salarial dos trabalhadores da iniciativa privada recuou de R$ 2.421 para R$ 2.350.


A inflação elevada fez a renda dos brasileiros encolher de maneira generalizada na pandemia. No caso dos empregados no setor público, o efeito da alta dos preços foi potencializado pela ausência de reajustes ou por aumentos tímidos para parte dos servidores, avaliam economistas.


"Em um contexto de inflação alta, o congelamento de salários faz a renda média cair mais", afirma a economista Vívian Almeida, professora do Ibmec-RJ, à Folha de São Paulo.


Plano de Carreira é a saída na DPE/RS


Com a retomada da economia, o desafio é o desafio é conseguir que o setor público também volte a crescer e compense as perdas que os trabalhadores da área tiveram no período.


Para o coordenador-geral do SINDPERS, Thomas Vieira, a aprovação do Plano de Carreira dos servidores e servidoras da Defensoria Pública do RS é o caminho para compensar as perdas da categoria: “Durante a pandemia, os servidores da Defensoria tiveram que se adaptar, muitas vezes usando recursos próprios, para seguirem atendendo nossos assistidos. Temos uma das carreiras mais defasadas entre todas as Defensorias do país e o atual patamar de inflação tem tornado a situação insustentável. Assim é urgente a aprovação do PL 146”, sustenta o dirigente.


O projeto se encontra na Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa e aguarda o parecer do relator Luiz Fernando Mainardi (PT).


Com informações: Folha de S. Paulo.


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