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Janeiro Branco: os dados que reforçam a urgência do cuidado institucional na DPE/RS


O mês de janeiro é marcado, em todo o país, pela campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a saúde mental. A iniciativa propõe uma reflexão coletiva sobre as condições de vida e de trabalho que impactam diretamente o bem-estar das pessoas. No âmbito da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, essa reflexão ganha ainda mais relevância diante dos resultados da pesquisa “Sindicato em Ação: organização, saúde e subjetividade no trabalho”, realizada pelo SINDPERS em 2025. 


O estudo, que ouviu 252 servidores e servidoras da instituição, traçou um diagnóstico aprofundado sobre fatores psicossociais, condições de trabalho e saúde mental. Os dados confirmam aquilo que o Janeiro Branco busca evidenciar: saúde mental não é um tema individualizado, mas profundamente relacionado à forma como o trabalho é organizado, às relações institucionais e às políticas de gestão de pessoas.


Sentido do trabalho e limites organizacionais


A pesquisa revela que muitos servidores reconhecem sentido social e realização no trabalho que desempenham na Defensoria Pública. A identificação com a missão institucional e com a promoção da justiça social aparece como um fator protetivo importante para a saúde mental.


No entanto, esse sentido do trabalho convive com fragilidades estruturais que impactam o cotidiano laboral. A falta de reconhecimento institucional, a percepção de pouca abertura à inovação e a dificuldade de participação nas decisões são apontadas como elementos que enfraquecem o sentimento de pertencimento ao longo do tempo.


Esse dado é especialmente relevante: quanto maior o tempo de vínculo com a instituição, menor tende a ser a percepção positiva sobre o trabalho. Trata-se de um sinal de alerta sobre o desgaste progressivo e a necessidade de políticas permanentes de valorização.


Sobrecarga, déficit de pessoal e riscos psicossociais


Outro ponto central da pesquisa diz respeito à organização do trabalho. Mais da metade dos respondentes relatam sentir-se sobrecarregados com as atividades diárias, e quase 70% apontam insuficiência de recursos humanos para dar conta da demanda existente.


A sobrecarga aparece como um fator diretamente associado ao adoecimento mental. O desequilíbrio entre atendimento ao público e tarefas administrativas, a falta de padronização de procedimentos e a falta de flexibilidade na adoção do trabalho remoto e híbrido aprofundam o desgaste emocional.


Saúde mental é responsabilidade institucional


No Janeiro Branco, esses dados reforçam a importância de reconhecer que o adoecimento mental no serviço público não é fragilidade individual, mas consequência de estruturas que precisam ser revistas. Nesse sentido, a saúde emocional precisa ser tratada como parte integrante das políticas institucionais, e não apenas como responsabilidade do trabalhador ou da trabalhadora.


O estudo encomendado pelo sindicato não se limita a identificar problemas. A pesquisa aponta caminhos para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, baseados em valorização profissional, participação, respeito e justiça organizacional.


O Janeiro Branco, portanto, não se encerra em janeiro. Ele se conecta à luta cotidiana do SINDPERS por melhores condições de trabalho, por políticas de prevenção aos riscos psicossociais e por uma Defensoria Pública que reconheça que cuidar de quem trabalha é essencial para garantir um serviço público de qualidade.


 
 
 

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